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domingo, 7 de outubro de 2012

Camafeu

Não é o meu melhor. Sei que mais posso e mais sou. É fato que a vida ronda, muito mais que a morte, o limite do meu Eu. No entanto, busco a sorte como forma de combate e me vejo em alto relevo retratada num camafeu. Ah! Insano mundo que gradeou meu olhar numa viseira de breu. Voilà! É que a garganta expele grunhidos enrouquecidos e febris de solidão. Desconheço o meu melhor porque busco inconstância na obstinação que emana do lírico amor de Orfeu. Não existe mulher Eurídice. E nem o sal que ardeu suas entranhas é o mesmo sal que me ardeu. Não sei do meu melhor. Pode ser que ressurja do nada faça-me e me desfaça e novamente me dê adeus! Ou, quem sabe, o melhor já esteja e me faça menos excêntrica, mais vital, mais essência e nunca mais, camafeu!

segunda-feira, 7 de março de 2011

Motim


De repente ouço luzes
Meus olhos dizem loucuras
E minha boca se cala

Minhas mãos andam perdidas
Meu coração suspira
E minha boca se cala

De repente paro o tempo
Meu beijo voa ao vento
Meu mundo na ante-sala

Meus pés dispensam a busca
Meu ventre, sem véus, estremece,
Meu sonho rejuvenesce.

Minha alma exporta o silêncio
A minha pele traduz incêndio
E minha boca já não se cala.

Tua voz invade meu templo
Aconchega-se em meus seios
E em minha boca se instala.

E juntos treinamos o amor
Surtos de kama sutra e cabala
Além do querer que exala,

Minha boca, então, fala.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Procurei bem


"Se procurar bem, você acaba encontrando
não a explicação (duvidosa) da vida,
mas a poesia (inexplicável) da vida."
Drummond




Há poesia no caos que destila a dor
e na sabedoria que eleva o amor.
Há poesia nos passos largos das horas
e nas chuvas que incentivam as floras.
Saio à caça da palavra que traduza
o olhar atônito ante a vida.
Uma lágrima escorre-me pela face,
tornando-me a visão distorcida..
E escalo espinhos. Sem proteção,
as mãos sangram, mas, persistem.
Em cada rasgo firo minh’alma
enquanto a poesia se auto-rabisca.
Procurei muito, Poeta.
A vida é um poema em aberto.
É nas ranhuras dos versos
que o inexplicável mostra-se
essencialmente desperto.
E concordo contigo.
A vida e o seu reverso,
inexplicavelmente,
sempre terão poesia.

Pela borda da taça


Anoitece.
O outono inverna.
As estrelas sentem frio.

Ruas cansadas
De passos exaustos.
Portas abrem com ruídos.

Chinelos arrastam.
Mãos fadigadas.
Corpos buscando abrigo.

Anoitece.
Lá, onde o agito perdura,
Bocas sorriem de tudo.

Embalada pela balada
Sonho sonhos vagabundos.
Escorre-me pelos lábios

Vinho sabor mundo...
Principia junho.
Na garganta, sem lamento,

Canto a canção do vento.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Pelo renascimento


Realmente deixei que os sentimentos ficassem sobrepostos na última prateleira.
Olhava para cima e nem os via.
Isto se tornou uma prática segura.
Só que o peso e a força desses sentimentos
fizeram com que a prateleira se partisse.
E passei a juntá-los vagarosamente.
Confiaria novamente?
Apaixonaria novamente?
Não havia rótulos neles.
Não encontrei respostas seguras para os meus questionamentos.
Tirei a poeira acinzentada que os cobria.
Novamente os organizei
e os guardei no cofre do encantamento.
(renascerão?)